BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

sábado, 11 de junho de 2011

Chocolate quente

Abri meu baú de memórias e revivi - tirando o pó - um dia dos meus 20 anos. Uma noite de alegria, que passei ao lado de meus amigos da época. Gosto de abrir baús, mas lamento pelas cartas de amor que rasguei ou devolvi à emissária, nos meus momentos de fúria. Lembro-me de uma que recebi nessa época dos 20 anos, veio de Minas. Depois do fim, levei-a até o quintal e pus fogo. Hoje, lamento não ter guardado, faz parte da minha história; agora não sei mais com que palavras eu fui tratado; se era tinta azul ou preta; qual a data; que cheiro tinha (cartas de amor tem cheiro); nem se havia um beijo com batom no final; e se terminava com P.S I love you.

Mas meu baú de memórias, anda cheio de coisas, boas e ruins. Enquanto tomo meu chocolate quente (ouvindo Samba em Prelúdio), olho a neblina dessa manhã de sábado e vem muito das lembranças da vida, do trem da minha história. A propósito, um trem será tema de uma próxima crônica, que já pincelei. Acho que não se deve olhar para o passado com tristeza, mas como lições. Sou contrário ao emprego daquela frase "era feliz e não sabia". Na verdade, sabia sim! Todos os momentos da vida que vivemos felizes, nós sabemos, não temos é coragem de assumir a felicidade presente. Medo de dizer e acabar.

O próximo texto aqui do Blog, falarei de "Uma noite em 83". De fato, eu já havia feito essa minuta de crônica , com algumas palavras lançadas no papel em branco - nada conclusivo. Agora, retomei a conversa e pus as mãos na poeira do meu baú. Saiu uma cronicazinha boa. O título é alusivo ao filme "Uma noite em 67" - a noite que mudou a nossa música popular. Quem quiser ver o filme documentário, assista. Só faço uma ressalva, pois o DVD, deixou Elis Regina, Nara Leão e Sidney Miller nos extras. Uma pena.

Bem, meu chocolate está esfriando e a neblina se dissipando. Hoje será um dia feliz e com sol para uma caminhada no parque, e com coragem para dizer: EU SOU FELIZ HOJE!

Posta por Antônio / junho / 2011
Postar um comentário