BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Do outro lado da rua

Um poema perdido. Encontrei-o nos arquivos de um amigo. Não me pergunte como e porquê o escrevi. Foi um período de busca e auto-conhecimento.

Do outro lado da rua
Há um bem a esperar
Vi um lugar
Era  uma casa de sonhos
De quintal de estrelas
Vi vitrines de sapatos
Espiando o meu olhar
Vozes ecoam nos arredores
Do porão da casa
Balançam cristais
Em armários trancados
Quisera eu despertar
Antes do dia raiar
Não vai tempo para viver
Um dia trás outro
E outro...
E a aurora da vida
Rompe em meu peito
Tal qual um jardineiro
Irrigando suas flores
Na festa da colheita
Um amor, que não passará...
Deslizará sobre o rio
Onde lancei meu coração
Onde me fiz renascer
De amanhecer
Quando atravessei aquela rua.

© Antônio / 2005.
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