BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Praquí, pracá, pralá...cadeira, cadeira, cadeira...

O Blog anda preguiçoso, eu sei. Os temas são muitos, infinitos. Saio nas caminhadas e vem sempre algo novo para trazer aqui; às vezes, alguém vem me dizer: olha este tema, sai uma crônica... Sai sim, claro que sai. O próximo texto que escrevo “As feias e as belas”, é um tanto polêmico. Algumas mulheres vão me chamar de machista (odiar), eu sei. Saibam que não é meu objetivo, mas para chegar ao assunto, ser belo ou não, vou ter que por o dedo na ferida, com algumas teses que tenho. Podem ser bobagens, mas elas existem em nossas vidas. Homens e mulheres são de galáxias diferentes, com suas diferenças na forma de encarar a vida. Nenhuma novidade.

Fiquei indignado – como muitos brasileiros - quando a ministra Iriny Lopes, titular da pasta da Secretaria de Políticas para as Mulheres, pediu para retirar uma propaganda do ar por suposta ofensa às mulheres. A estrela do filme é nada mais nada menos que o ícone da beleza brasileira, a modelo Gisele Bündchen.

Em seu Blog, o jornalista Reinaldo Azevedo, comparou a cena com Gisele – de lingerie – com a cena protagonizada pela cantora colombiana Shakira no Rock in Rio; estariam na mesma situação: uma mulher linda e insinuante. Nada mais.

Da apresentação de Shakira, a cena que mais me chamou atenção foi a que tenta ensinar algumas brasileiras, que escolheu da platéia, a dançar descadeirando, ou como ela chamou “Praquí, pracá, pralá...cadeira, cadeira, cadeira...e vai, e vai, e vai, e vai...”. Hum, foi a melhor cena do Rock in Rio. A ministra, poderia achar aquilo também um afronta à mulher; insinuante, incitante, provocante aos homens. Mas não disse nada. As pobres coitadas, Gisele e Shakira, sofrem do mesmo mal: beleza e talento. Isso incomoda.
© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / abril de 2011.
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