BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Bicicletas, etc...


Quando fui dar nome ao blog, veio a lembrança de uma música chamada “Bicicletas, etc...” (Eduardo Souto Neto e Geraldo Carneiro). Esta belíssima música esta no LP de Taiguara de 1971, na última faixa do lado A. Este disco foi uma das grandes inspirações musicais do meu aprendizado. O título era “Carne e Osso” e na capa aparecia uma boca enorme (provavelmente a de Taiguara). Ouvi este disco até furar, literalmente falando. “Bicicletas, etc...” tinha num trecho da letra: “todas as manhãs eu entro no cinema/ numa imagem de luzes coloridas...” e um arranjo com base em piano, como quase tudo que Taiguara fazia. Neste mesmo disco havia outra canção que se chamava “Momento de amor”, era a 3ª faixa do lado A. Sempre interpretei esta música como uma resposta do amor. Do amor que se dá e recebe na mesma proporção. Sua letra e melodia vão da carícia, do afago ao ápice, ao orgasmo e depois o repouso, o descanso. Tudo dentro de uma sutileza de versos e harmonia. Ao fundo se ouvia uníssono uma voz feminina falando ao seu amante palavras de amor.


Momento de Amor (Taiguara)

Neném, eu percebi quando te amei
Teu medo foi maior que o teu amor, neném
Neném, abre o teu peito e diz pra mim
Tudo que te faz temer assim
Neném, dor que se guarda fere mais
Faz medo, desespera e esfria o amor, neném
Meu bem, faz no leito um sol pra nós
Faz da tua treva o amanhecer
Vida é só uma estrada e vai levar
Aonde o teu amor puder
Vida é teu momento de entregar
É dentro de você, mulher
Neném, agora sim num corpo só
Os nossos corpos sós vão se encontrar no amor
Amor, agora sim eu vou te amar
Mais do que te amar vou te saber
Assim, meu colo acolhe a tua mão
E colhe em tua mão o tato bom do amor
Assim, meu braço estreita o nosso amor
Deita sobre o teu o meu viver
Quero, e esse é o momento de alcançar
Vir junto e mergulhar no amor
Quero, deixar no mundo do teu ser
No fundo do teu ser, o amor
Comigo agora, vem, vem, vem neném


Postado por Antônio - Setembro 2010
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