BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

sábado, 24 de julho de 2010

Vem cá Luiza

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Sou um ouvinte de música resistente a coisas novas. Vira e mexe minha vitrola toca sempre os mesmos clássicos, os meus escolhidos. Conservador no gosto musical, temo também pela minha fidelidade posta à prova. Temo perder a minha identidade musical e sair do tom ou do Tom. Desculpa, mas sou assim. Bem, como nunca há unanimidade em tudo, às vezes acontece de aparecer alguém que me faz parar para ouvir e apreciar. Não que procure, mas surge do nada. Você vai resistindo aí acaba se envolvendo.
Em 1978, naquele programa de fim de ano pela Tv Bandeirante, Chico Buarque anunciou que uma cantora nova estava surgindo na MPB. Era Zizi Possi. Naquela apresentação ela cantou em dueto com Chico sua nova canção “Pedaço de mim”; aquela canção que tem uma das frases mais fortes de Chico: “A saudade é o revez de um parto / A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.” É só pesquisar para ver que a gravação tem arranjo, solo de voz de Milton Nascimento e um bandolim tocado por Beto Guedes. Zizi não poderia ter começado melhor. Sua carreira depois dali, só decolou. Faz pouco tempo descobri que teve uma filha, que cresceu e hoje segue os mesmos passos.
A filha de Zizi, Luiza, tem algo encantador. Sua voz é doce, ela também compõe e tem um repertório vasto com músicas lindas como “Paisagem”. Influência ou não da mãe, ela - diferente de Maria Rita -,  tem voz própria. Não se preocupou em parecer ou cantar como a mãe – criou o seu público com sua voz.
Neste vídeo, extraído do DVD de Flávio Venturini “Não se apague esta noite”, além de soltar a  voz precisa que tem, espalha também graciosidade. A canção “Beija-flor” uma das mais lindas do repertório de Venturini, ganhou nova roupagem neste dueto com ela. Quando ouvi/assisti, fiquei repetindo várias vezes depois.
Tenho visto Luiza também pelas redes sociais na internet. Suas inserções no twitter são de uma artista que parece muito próxima, tem carinho e respeita o seu público. Sucesso, talento e vida longa na nossa nova MPB, esta é Luiza Possi.
Prometo que falarei de Tom Jobim também outro dia, eu ainda continuo fiel.

Antonio / julho 2010
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