BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Julho

Queridos leitores (as):
Segue um poeminha novo pra aquecer este inverno. E falando nisso, pena que Roberto não canta mais uma das suas melhores canções: "...quero que você me aqueça neste inverno / e que tudo mais vá pro inferno". Li num livro que ele fez esta música pra uma namorada que o pai mandou morar no EUA, com o objetivo afastá-la dele (Roberto), pois não queria aquele namoro. Aí veio a canção.

Julho

Ainda que tardio
Julho, ela veio
Guardei palavras
Em meu coração
Corro atrás da lua
Vejo o tempo da janela
Ela veio me aquecer
Corro atrás do sol
Guardei canções
Julho, ela veio cantar
Na tua pele nua
Na cortina do tempo
Julho, ela me segue
Com seus olhos
Neblina de manhã
Rogo-te amor
Rogo-te paz
Remendo estes versos
E deixo este julho
Adormecer na espera
Um álbum de recordações
Até a nossa primavera

© Antônio / julho de 2010.
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