BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Tudo junto e misturado e uma sociedade na UTI


ATENÇÃO! Nossa sociedade está doente... O pior, em médio prazo não tem vacina e muito menos cura. Estamos passando por um momento letárgico e de sonolência; de pessoas do bem e comuns vendo suas vidas sendo solapadas, destruídas e ao mesmo tempo fingindo não sentir, dando as costas e tergiversando das questões.

Venho falando disso há tempos e as pessoas preferem curtir seus pets e unhas da semana; vivendo no seu mundo “lindo-e-maravilhosoooo”, de baladas e curtição; porque o importante é ter um dinheirinho pra cerveja e ficar “so glad” em saber que vai dar praia no fim de semana. Gente tola. Vão ler e se interessar, porque quando acordar seu mundo poderá estar estranho e você com cara de tacho perguntar: Por quê?

O filme “De volta para o futuro II” mostra como uma simples atitude no passado, ou o poder na mão de um mau-caráter, pode transformar todo futuro de uma sociedade. Aquele presente de 1985, todo modificado, irritou Marty quando ele voltou. O problema veio do passado com seu inimigo Beef. Vejam esse filme com este olhar.

O mais surpreendente nas recentes manifestações e depredações das ruas é o modo como a imprensa (a grande) vem tratando o assunto. Com raríssimas exceções, todos pisam em ovos ao dar notícias sobre Black Blocs destruindo cidades. Esses viraram a verdadeira forma de fazer justiça, no braço e na covardia.

Veja, por exemplo, como o JN dá tal notícia. Eles foram um pouquinho mais adiante, mas não chamam Black Blocs pelo seu nome de “Black Blocs”. Antes eram “manifestantes”; depois passaram a chamar de “vândalos” ou “baderneiros”. Agora os chamam de “mascarados”.

Por que quando um veículo de uma emissora de TV é virado e incendiado numa rua, nenhum telejornal faz um editorial incriminando os bandidos, pedindo justiça com veemência? Por que repórteres vão às ruas registrando tudo num celular e todo mundo com o “cu-na-mão”? Por que se pisa tanto em ovos? Por que esse medo todo?

Há várias respostas, mas vou ficar com uma. O medo de atingir um grande cliente (o maior deles) e ser perseguido por uma ditadura silenciosa que já está por aí. Ou você nunca foi corrigido sobre sua fala disso ou aquilo? A democracia às favas.

A imprensa está acuada como um animal preso por sua presa. Tem uma pauta controladíssima e censurada. É o fim.

Outro dia deparei vendo uma manifestação na Av. Paulista, uma faixa dizia “juventude e professores juntos porque a rua é a melhor escola”. Por essas e outras que a educação no país está péssima. A USP, a maior universidade do país, não figura mais na lista das melhores universidades do mundo; enquanto isso o analfabetismo anda a galope e “concerteza” continuará a crescer. Vergonha!

Nas manifestações dos professores cariocas, vemos o sindicatos anunciando, com orgulho, o apoio dos Black Blocs (Black Bostas). Fiquei estupefato. Onde fomos parar? Professores (nossos mestres) se unindo a bandidos. Que país é este?

O que me impressiona nisso tudo é a covardia. Eles não mostram o rosto, se escondem por trás de máscaras, atacam em bandos, como aqueles que bateram cruelmente num Coronel da polícia. 

Lendo os comentários das notícias de jornais você percebe o grau de ignorância misturado com raiva que se derrama no teclado do computador. Entre os bandidos Black Blocs e a polícia, eles preferem os juízes das ruas, marginais de porrete na mão.

A polícia virou uma espécie de inimigo público. Tem gente que ainda acha que ela não deve bater em bandido. Tem gente - já li por aí – que quer a extinção da policia. Quero ver quem ela vai chamar quando sua filha for estuprada ou assaltada. A polícia, bem ou mal, ainda são as leis fazendo-se cumprir nas ruas. E uma delas é o direito de ir e vir.

Os defensores da causa animal – não sou contra – querem tornar sua causa uma doutrina, uma ordem social. Daqui a pouco vão obrigar a cada cidadão a recolher e cuidar de animais soltos nas ruas. Eu prefiro ficar no meu comportamento. Só piso em baratas, mas não chuto cachorro ou gato de qualquer porte.

Nessa onda que tomou conta, já li coisas absurdas. Dentre elas, pessoas (na sua doença) colocando o animal numa importância maior que o ser humano. Onde você diz que o ser humano não presta, deveria se colocar também. Ou será a única exceção? Ridículo.

Depois, na manifestação contra o Instituto Royal, quem os manifestantes chamaram pra apoio? Exatamente, os “justiceiros” Black Blocs. Quem se alia a bandido, come do mesmo prato. O mundo (e o Brasil) virou este supermercado de causas. Cada um cuida do seu grupo, do seu nicho e acha isso a coisa mais importante do mundo, e seu ingresso na vida social é de grande relevância. Como um mantra que se diz todos os dias até pegar. 

Os fascistas estão soltos, esta é a verdade. E não tem ninguém que os impeça de seus intentos. O Brasil se tornou uma faixa de gaza. Uma mudança, com a entrada do maligno nos nossos caminhos, está em curso. E todo restante do mundo dormindo e preocupado com o fim de semana.

A coisa pode mudar? Sim! Segundo a Folha de São Paulo em pesquisa recente, 95% da população paulistana repudia os BBs. Já é um começo. Recentemente o ex-reitor da USP, cuja reitoria se encontra invadida por beócios esquerdopatas, disse “o espaço que os intolerantes ocupam é proporcionado pelos tolerantes”. Cabe lembrar, neste caso da USP, os tolerantes são a esmagadora maioria. Mas sem coragem de enfrentar ou só nasceram diferentes. Pensam em só estudar e poder ter um bom emprego.

O mantra mais dito até hoje sobre nós é que “Deus é brasileiro”. Todo mundo vive esse milagre, essa oração como se no final uma ação divinamente instantânea descerá para fazer justiça, como se o miojo ficasse pronto. E você, o que tem feito? Pura ilusão.

Por fim, deixo uma dúvida no ar. Nós temos na sua maioria uma sociedade ignorante, hipócrita ou mau-caráter? Você pode escolher, porque qualquer uma serve ou todas juntas e misturadas.

© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / Outubro de 2013.
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