BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

domingo, 18 de março de 2018

Marighella da favela


Domingo, 18 de março de 2018. Parece estranho começar esse texto pela data. Mas não é. Há um propósito. Há uma semana, ninguém neste país conhecia ou sabia quem era Marielle, a vereadora da extrema-esquerda do Rio, que morreu numa emboscada na noite da última quarta-feira.

Em 3 dias, depois do anúncio da sua morte — ainda um mistério —, a mídia e o partido ainda tentam sustentar uma história de crime político. Ao despertar da manhã de quinta, as redes sociais já tinham essa formatação: mulher, negra, guerreira, da favela e crime político. A narrativa foi sendo apimentada a cada noticiário, com histórias de uma trajetória humanitária, de gente do povo, que denunciava os maus policiais. Assim, muitos compraram como verdade, uma história de uma pessoa que ninguém sabia quem era (exceto pessoas muito próximas) e passaram a defender, de forma seletiva, sua memória, como se fosse alguém da família.

O site O Antagonista tratou de desconstruir parte do enredo montado que, em 24 horas, já havia transpassado as fronteiras  do país e chegado à Europa: "mataram uma mulher do povo". A vereadora foi eleita em 2016 com os votos da maioria da classe média carioca. Os votos que ela teve dentro das favelas, onde recarregava seu discurso, foi ínfimo. Como disse o jornalista Flavio Morgenstern, em seu Twitter: "a Marielle foi eleita com votos quase que EXCLUSIVAMENTE de bairros ricos. Sabe em quem a favela vota? Nessa tal 'bancada evangélica' que vocês chamam de 'fascista'. Se só favelado votar no Rio, PSOL deixa de existir e só vai ter bala e Bíblia".

Durante esses dias, vi algumas pessoas desatentas compartilhando as narrativas construidas junto com hashtags — por que não chamam cerquilha? —, que se espalharam como rastilho de pólvora pela internet. Parecia que o país havia encontrado sua heroína, sua mártir, sua mulher maravilha. A verdade — e aí é onde mora o perigo —: a mídia mainstream tendo um fato novo e forte faz o que quer com a notícia. Muitos saíram repassando a história construida por eles e pelo partido, abusando do Ctrl "C" Ctrl "V", sem nenhum filtro de raciocínio. O PSOL não poderia deixar passar, se aproveitou do fermento do fato e fez discurso sobre seu caixão. E ali, num choro forçado, cantaram até o hino da internacional socialista. Não respeitando ninguém, nem mesmo a memória do motorista, que também morreu naquela noite. Eles vão sempre fazer política com tudo. Até na morte.

Mas como ia dizendo, o domínio da notícia é um perigo grande quando há má intenção, seja para manchar uma reputação ou até transformar assassinos em heróis. Eles precisam só ter um fato a favor. A morte por assassinato, de uma pessoa que desafiava a polícia, num cenário de intervenção na cidade, é um prato cheio. Quem pararia um minuto para raciocinar diante de um Jornal Nacional lamurioso? Ninguém consegue. O cidadão comum se comove e compra a ideia: mataram uma mulher do povo. (Aqui não estou fazendo juízo sobre a pessoa, até porque passei a saber quem era agora. Era uma desconhecida).

Aí eu faço um alinhamento dessa morte com a morte do terrorista Marighella, ocorrido numa noite de novembro de 1969. A notícia chegou no alto-falante do estádio do Pacaembu no meio de uma partida de futebol: A polícia de São Paulo acaba de matar o terrorista Marighella. No dia seguinte os jornais seguiram a mesma linha: mataram o terrorista. Naqueles idos, a esquerda não tinha ainda o domínio da mídia e teve que engolir as capas de revistas, as manchetes de jornais. Como a capa reproduzida pela Revista Veja. 

Ao longo dos anos, quando a esquerda passou a dominar o noticiário e todo ambiente cultural do país, a ideia de um Marighella guerrilheiro e libertador foi sendo temperada e introduzida aos poucos e substituindo a de terrorista. Chegamos ao ano de 2018, e um filme está sendo rodado para contar a história de Marighella, sob a ótica da esquerda, claro. O filme, depois de um período nas salas de cinema, irá para TV, depois para as salas dos DCE´s. Nada mais manipulador, nada mais falso para contar, distorcendo os fatos, do que a trajetória de um assassino, que deixou escrito um manual de guerrilha urbana. Matar é um fato corriqueiro, seja um inimigo ou aquele traidor do movimento.

Claro que Marielle e Marighella só tem em comum os nomes de dupla caipira e a mesma foice e martelo tatuados na alma. Biografias e trajetórias totalmente diferentes. Mas o que seria, em 1969, se o governo deixasse passar a ideia de Marighella herói? Hoje, muitos de nós estaríamos aqui venerando e acendendo velas na sua sepultura. Stálin, Hitle, et caterva, e todos os que  se inspiraram neles depois sabiam da importância do domínio da comunicação; se consegue tudo e se chega a qualquer lugar com uma notícia recheada. Reescrever a história sob um único ponto de vista e passar como verdade somente aquilo que interessa à narrativa.

Não se espantem se daqui alguns anos (ou meses) anunciarem um filme com a história de Marielle.

Quando a esquerda constrói uma narrativa que se espalha; e quando essa narrativa vai aos poucos se desfazendo com os fatos — eles já começam a brotar. Ao invés de reconhecerem a mentira e mudarem o discurso, eles preferem desqualificar os fatos. Eles nunca mudarão. Quem tem que mudar somos nós, não deixando-se levar pelo que diz as bocas sujas e as hashtags que tentam elevar ao Trending Topics.

Cuidado com a #MariellePresente.

(A foto das capas da Veja, acima, lado a lado, é só para forçar um raciocínio)

© Antônio de Oliveira / arquiteto, urbanista e cronista / março de 2018

quinta-feira, 8 de março de 2018

20 soluções para os problemas do século XXI

(Poderia começar esse texto com "seus problema acabaram", como dizia o Casseta & Planeta quando queriam lançar algum produto das Organizações Tabajara)

Brigas em estádio de futebol.
Solução: Proibir a venda de cerveja.

Brigas dentro e fora de estádio de futebol.
Solução: Jogo com torcida única.

Ataque terrorista com caminhão.
Solução: Proibir a venda de caminhões.

Massacre em escolas com armas de fogo.
Solução: Proibir a venda de armas.

Invasão terrorista em países árabes.
Solução: Refugiar todos em países ricos.

Problemas com educação de base.
Solução: Criar sistema de cotas raciais.

Dificuldade cognitiva de aprendizado.
Solução: Acabar com o sistema de reprovação.

Falta de governo e democracia.
Solução: Eleger um ditador de esquerda.

Crime organizado, mortes e drogas no Rio.
Solução: Educação e muito “Imagine” para ouvir.

Assalto à mão armada.
Solução: Não dê mais mole naquele local!

Não consegue atingir o status de classe média
Solução: “Ressignificar” o que é classe média.

Animais sensíveis a fogos de artifícios.
Solução: Proibir a venda de fogos.

Sou feia gorda, mas quero ser miss.
Solução: Mudar os padrões de beleza impostos pela sociedade capitalista.

É desqualificado, preguiçoso e está desempregado.
Solução: Ir a um programa de TV reclamar da sociedade preconceituosa.

Foi assediada, molestada ou estuprada.
Solução: Escrever textão no face, lacrar e ficar de mimimi.

Invasores de terras e imóveis urbanos.
Solução: Furar a fila da casa própria.

Pobreza, analfabetismo, ignorância, desemprego.
Solução: Assistencialismo e Bolsa família.

Não sabe ler e vai ao cinema.
Solução: Filme dublado.

LGBTs em banheiros M/F
Solução: Criar o 3º, 4º, 5º, 10º banheiro.

Feriado que cai na quarta-feira.
Solução: Puxar pra segunda ou sexta.

© Antônio de Oliveira / arquiteto, urbanista e cronista / março de 2018

segunda-feira, 5 de março de 2018

Esquerda ou Direita?

A classificação esquerda e direita, hoje, perdeu totalmente o sentido desde que surgiu na Revolução Francesa (1789). E isso tem feito muita gente não saber se posicionar. Você é de esquerda ou de direita?

Ser de ESQUERDA é apoiar uma agenda progressista nos costumes (casamento gay, igualdade de gêneros, liberação de drogas, aborto, etc.). É ser simpático a governos estatizantes e controladores — veja como a maioria dos esquerdistas não dizem nada sobre governos ditatoriais como os de Cuba e Venezuela. É romper com o passado e todas as tradições, inclusive as religiosas; é ser ateu. Às vezes, é dizer-se espiritualizado, panteísta, mas nunca religioso (adorador). É ser a favor e propagador de movimentos de minorias, como: feminismo, gaysismo, sem terra, etc. É ser a favor das cotas nas universidades e em tudo onde couber. É ser socialista e enxergar desigualdade social em tudo, menosprezando o mérito e a capacidade individual de cada um. É ser utópico, sentir-se salvador do mundo, acreditando que tudo isso um dia vai se transformar em realidade, e vai dar certo. É ser relativista.

Ser de DIREITA é ser conservador nos costumes (ético e moral). É ser favorável à legítima defesa, ser pró-vida, contra a liberação de drogas. É ser obediente e vigilante às leis e regras. Ser a favor do modelo de família como se apresenta na constituição. Acreditar que as tradições culturais e religiosas devam ser mantidas e que a liberdade individual tem prevalência sobre o coletivo. Em muitos, é ter o cristianismo como crença e religião. Ser a favor da propriedade privada. É primar por um Estado mais enxuto e com o livre mercado estimulado pela competitividade. Ser mais liberal na economia e acreditar que só a geração de emprego é capaz de minimizar os impactos das desigualdades sociais. — O mundo é isso mesmo, herdamos assim e entregaremos um pouco melhor — pensa um direitista. É se guiar por uma realidade e acreditar numa verdade única. 

(Nota: as definições vão do mais light até os extremistas. Se você tem posições nos dois lados, pode ser que esteja sendo enganado por um deles).
  
© Antônio de Oliveira / arquiteto, urbanista e cronista / março de 2018

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

2018: o ano que não terminará

Não! Eu não tenho bola de cristal e nem mesmo sou um daqueles adivinhos de fim de ano, que faz previsões do tipo "um artista famoso vai morrer" — com 100% de chance de acertar, porque o óbvio a lógica, no final, sempre triunfam. E eles sabem disso.

O Brasil não é para principiantes, já dizia Tom Jobim. O compositor brasileiro não era de frases polêmicas, mas ele também nos deixou outra pérola: "o brasileiro cultua o fracasso e o sucesso é uma ofensa pessoal." E não é mesmo? Aqui é tudo muito pelo avesso; do menos que sempre vale mais. O brasileiro torce para que o mais fraco estoure os miolos do mais forte. Ele tem ódio dos vencedores. (Lembrando que, forte, muitas vezes, é aquele que tem mérito.) Caminhamos no obscurantismo, nas trevas, no atoleiro do mundo. Não há tanta percepção no dia a dia, porque o brasileiro já está acostumado com os pés sujos de lama, há tempos.

Já arrumando as malas para 2018 — será que terminará? —, temos que, antes, analisar esse incompreensível e controverso ano de 2017. Alguns mais desatentos (desses que sentam na praça para dar milho aos pombos) poderão dizer: — Achei um ano tão normal, nada diferente... Não, definitivamente não foi um ano normal. Explico por quê.

Nunca a agenda progressista fez-se tão presente em nossas vidas; nunca vimos tantos posicionamentos politicamente correto enxovalhando nossas casas, cotidianamente. O assunto sobre transgênero, então, foi até ao esgotamento. A técnica é: encha as telas dos computadores e celulares de provocações à normalidade e senso comum da vida, que uma hora todos se acostumarão e passarão aceitar o bizarro como espelho social.

São de assombros esses nossos dias. A notícia diante da normalidade da vida passou a ser aquela assustadora aos olhos da imprensa fake news; por outro lado, aquilo que era escrachado passou a ser entendido como normal e corriqueiro. Isso está nas manchetes dos jornais, nas redes sociais, nas novelas, nos programas de TV. (O escritor Flávio Morgentern já disse algo parecido em seu Twitter.)

Quando, em setembro último, veio à tona a exposição que chocou boa parte do país, no Queermuseu Santander, a imprensa, de um modo geral, passou os olhos sobre aquelas ditas "obras de arte". Resolveu atacar os conservadores por não saberem apreciar uma arte. Que arte? Michelangelo, Da Vinci? Não! Havia ali, sim, uma clara intenção de provocação. Desde que as esquerdas tomaram a arte para si, tudo virou expressão artística, quando se enxerga nela um manifesto político/social. De arte e artista não há nada. Muitas dessas obras, qualquer criança faria. O pano de fundo do Queermuseu, contudo, era: a pedofilia, o vilipendio religioso (cristão) e a pornografia.

Numa das tais obras mostrava um negro, de modo passivo, tendo relação sexual com duas figuras brancas. Passaram os olhos a imprensa e os tais movimentos negros. Ninguém publicou nada, ou se indignou nas redes sociais: RACISMO! Duas semanas depois, quando a poeira havia assentada, os portais de noticia manchetaram uma matéria onde se identificou, numa publicidade no metrô do Rio, uma imagem racista. (Confesso que não vi nada de racismo. Eles viram.)

Aí você, leitor, pode indagar que isso foi uma coincidência: três ou quatro veículos de imprensa dar manchete do mesmo assunto, como se houvesse relevância no tema. E eu direi: uma ova!! Isso é orquestrado, pautado, comandado e dirigido por uma corrente muito forte que manda nos veículos de imprensa e no mundo; uma força oculta que investe nessa agenda progressista: o Globalismo.

Já contei aqui, neste Blog, que logo após a posse do republicano Donald Trump como presidente dos EUA, uma marcha (espontânea?) se organizou em muitas capitais pelo mundo. Uma marcha das mulheres que não aceitavam Trump por considerá-lo um machista e misógino. A pilhéria: foi sim, no mundo ocidental onde a mulher verdadeiramente se emancipou, teve mais destaque e saiu das suas casas para liderar, governar e trabalhar. E elas veem em Trump (um homem ocidental), governante do país mais livre do mundo, um machista. A perceptível e clara intenção de se criar um fato mentiroso para tornar aquilo verdadeiro, espantoso, tenebroso e conclamar as pessoas a combatê-lo.

Mas isso era só um aperitivo do que vinha por aí. Eles não dariam sossego a Trump, como não deram ao longo do ano. Os metacapitalistas — Olavo de Carvalho os chama assim , interessados no controle da engrenagem do mundo, estão, sim, influenciando nossas vidas, há décadas. O movimento, porém, é silencioso, indolor, lento. Vindo através de agentes políticos, de meios comunicação e dos movimentos revolucionários espalhados pelo mundo.

Aqui no Brasil, é bem provável que o globalismo esteja financiando a grande imprensa para fomentar o discurso progressista. Depois que os jornais e revistas saíram das bancas de jornal (passou a ser menos impresso), a pauta globalista ficou mais clara. Afinal, ninguém sobreviria muito tempo se não fosse financiado por alguém. O poder dessa gente é grande. A fundação Open Society, do investidor e bilionário George Soros, recebeu dele mesmo, neste ano, US$ 18 bilhões. Para fazer o quê? Filantropia? Seria ingênuo pensar que sim.

O mesmo Soros também é um dos financiadores de outra instituição, a Planned Parenthood, responsável por abortos de mulheres negras nos EUA. O site Senso Incomum fez uma matéria em janeiro deste ano, onde relatou: "Poucos no Brasil sabem o que é a Planned Parenthood, a ONG que recebe cerca de US$ 530 milhões anuais do governo federal americano para realizar cerca de 324 mil abortos anuais. Entre seus objetivos, além de realizar abortos, está o de amenizar o debate e propagandeá-los para jovens através da cultura popular em um esforço de governos globais."

Uma das primeiras providências que "o maligno" Trump tomou, logo após sua posse, foi encerrar os contratos governamentais com a Planned Parenthood. O que ele fez muito bem. Do outro lado, a imprensa fake news não deu um rodapé de notícia. Trump não é só presidente da maior potência econômica do mundo, mas aquele que veio quebrar o ritmo ascendente da agenda globalista e seus tentáculos. Os politicamente corretos passaram a atacar até os gestos naturais de Trump. Quando ele segurou uma caneca de água com as duas mãos.

O interesse desses globalistas não é só a eugenia, o controle da vida humana, mas uma preocupação que uma superpopulação mundial possa atrapalhar a dinastia de seus poderes. É plausível pensar, hoje, que muitas doenças epidêmicas — curioso que muitas nascem em meio a pobreza do continente africano — foram criadas em laboratórios financiados por esses donos do mundo. Li uma matéria num site postado no Facebook, onde afirma que um laboratório financiado pela fundação Rockfeller descobriu, em 1969, a cura do câncer, mas manteve, a partir de então, a fórmula trancada por ordem da fundação. O câncer é uma forma de controle de população, exatamente tudo que quer esses globalistas. Fiquei curioso em saber de que morrem os Rockefellers. Com certeza não deve ser de câncer.

A fórmula do politicamente correto pautou as matérias jornalísticas em 2017. O tema transgênero não só foi estampado em novelas, mas aplaudido nos palcos Brasil a fora. A projeção do pseudo cantor (homem em corpo de mulher) foi uma das coisas mais bizarras que aconteceu este ano. A novela da Globo também tratou do tema: "sou um homem preso a um corpo de uma mulher". A ideologia de gênero foi debatida nas redes sociais e combatida por entidades conservadoras, que se organizaram para proteger os ambientes escolares dessa difusão. Depois, o empoderamento feminino, negro, e LGBT virou clichê nas páginas de revistas e nos portais de notícia. Só sei de uma coisa, o vendaval foi grande. Com artilharia de todos os lados e diariamente.

Na contramão, há também aqueles lampejos de luz no combate a essa agenda progressista e politicamente correta. O estilista Stefano Gabbana, em entrevista recente, chocou a imprensa politicamente correta mainstream com uma declaração. Disse:
"Não quero que me chamem gay, sou um homem. Parece-me inacreditável que este termo ainda se use hoje em dia. Biologicamente sou um homem. A palavra gay foi inventada por aqueles que precisam de etiquetar as pessoas e eu não quero que me identifiquem pela minha orientação sexual"
No campo da política, vimos, em 2017, nuvens negras — cuidado com o politicamente correto, Antônio! —  pairando sobre nossas cabeças. A sequência da Lava Jato, prisões e solturas de políticos corruptos. Incertezas e desesperanças tomaram conta das redes sociais. Um fato real foi o ressurgimento e fortalecimento de uma direita que até então estava adormecida; na outra extremidade, o enfraquecimento da esquerda financiada. Nesse esparramo de assuntos diários, a questão política correu paralela a tudo. Digo, a guerra que se travou não foi PT x PSDB, ou direita x esquerda. A guerra foi (e é) cultural. Entre aquilo que se quer conservar (do mundo que nos foi construído e entregue) e aquilo que se quer mudar (de um mundo a nos impor, sem nenhum experimento).

Desde que Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, no caso do Tríplex do Guarujá, a imprensa fake news enfatizou mais ainda a sua candidatura para 2018, tratando Lula como uma voz a ser ouvida, uma opção ao futuro do país (?); e não como alguém a se esquecer pelos 9,5 anos de condenação; alguém que já deveria estar preso e afastado totalmente da política. A política cheira mal e a imprensa no Brasil escancarou e deitou no lamaçal. Tratar Lula como assunto de todos os dias, sem mencionar sua condenação, nos afronta.

O que podemos esperar em 2018? Não há muita esperança que o ano comece e termine bem, infelizmente. Em dezembro de 1968, quando o regime militar baixou o AI-5 (o ato mais duro do regime), o escritor e jornalista Zuenir Ventura descreveu, mais tarde em seu livro, aquele como "o ano que não terminou". Em 2018, diante de tantas incertezas, corremos esse risco de que o ano possa também não terminar ou terminar em chamas, com barricadas e coquetéis molotov.

A força do establishment, em manter a esquerda no poder, já se desponta e começa sacudir o cenário. Lula ainda é a menina dos olhos de grande parcela da imprensa, dos empreiteiros, dos movimentos sociais, das instituições, do legislativo, judiciário, dos partidos nanicos e dos políticos sujos na Lava Jato. Lula é o salvador da pátria dos corruptos. Ele, eleito e livre da prisão, devolverá o país ao estado de miséria intelectual, que serviu por anos como esteio da corrupção. O que ninguém está considerando é: os pilares democráticos do país suportarão mais quatro anos governados por um partido que governa em favor da agenda do Foro de São Paulo e seu projeto de Pátria Grande para a América Latina?  Numa tragédia anunciada (toc toc), viraremos uma Venezuela rapidinho, e Soros vai suspirar e sentir que seu investimento fez o estrago previsto. Nos tornando mais pobres, famintos e pequenos diante do seu poder global.

Deus salve o Brasil!
 
© Antônio de Oliveira / arquiteto, urbanista e cronista / dezembro de 2017