BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Da Sessão da Tarde

Minha peregrinação em busca do elo perdido continua. Onde deixei meus tesouros guardados? Que cofre ou montanha do meu passado abandonei o que me preenche? Desprezo ao presente? Falta de anseios na vida por lacunas no coração? (O vazio sempre será ocupado por algo). São tantos assuntos para filosofar que renderiam muitas crônicas. Vamos ao que interessa.

Muita gente que me conhece não sabe, mas a maioria dos meus filmes vejo pesquisando sempre pelo diretor e pelos atores que atuam. Nessa seleção, consigo separar o que vale mesmo a pena ver do que é uma incógnita surpresa e do trash

No ambiente da comédia, não consigo classificar nenhum ator contemporâneo que mereça destaque, talvez Adam Sandler. Tornei-me míope para o que há no presente e os ditos filmes "blockbusters". Mas quando olho para o passado, vejo com nitidez: Jack Lemmon, Peter Sellers e o impagável Jerry Lewis (hoje com 88 anos, os outros dois já morreram).

Adquiri recentemente três filmes dublados de Jerry. Os mesmos filmes que via na minha sessão da tarde, que parece que estou lá ainda: antes da pelada no campinho, sentado no sofá de napa vinho da minha sala, vendo num televisor Colorado RQ, em P&B. O Jerry imortal e dos tipos e caras, criados por ele, ainda são impressionantes, atuais, fazendo rir gerações, mesmo essas que não o alcançaram nas sessões da tarde do sofá duro de napa vinho.

Então, revi recentemente, pelo Netflix do meu iPad, "O Professor Aloprado", de 1963, e dei muitas risadas com as trapalhadas do professor Kelp e sua dupla personalidade, o seu alter ego (macho fodão), que criou para impressionar e conquistar sua musa. Com a belíssima Stella Stevens - com carinha e sensualidade congênita da época, como era outra musa Marilyn Monroe.

Jerry ainda me conquista a cada filme, como aquele amor que se renova a cada dia. Não conseguiria citar um filme favorito, porque cada qual tem sua peculiaridade e graça. Mas deixo aqui este vídeo extraído do YouTube, do filme "The Nutty Professor" (O Professor Aloprado).  Aliás, me fez lembrar outro professor destrambelhado, mas vilão: professor Fate. Mas isso é outro assunto para recordar da sessão da tarde...

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© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / Agosto de 2014.

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