Grande parte da trama, do meio até o desfecho, discorre sobre um tema hoje muito discutido na Igreja Católica: os casamentos não consumados em longos processos de nulidade (ratum sed non consummatum). Naquela época não era tão comum como hoje.
O padre Paulo Ricardo certa vez falou que a maioria das pessoas se casa na Igreja sem dar relevância àquele momento sagrado. Mais tarde, já separadas, elas se descobrem católicas em uma verdadeira conversão. É quando se deparam com a realidade de que, para viver um novo e verdadeiro amor, enfrentarão um demorado processo eclesiástico, sem garantia alguma de sucesso.
Em Paraíso, no entanto, no crepuscular e derradeiro episódio, o mocinho toca o berrante ao longe, despertando sua virgem e amada, que já está pronta para ser beijada por outro no altar. De posse do resultado do ofício da Igreja, ele cavalga a galope até ela, rouba-a da cerimônia, coloca-a na garupa do seu cavalo e vai viver seu final feliz.
© Antônio de Oliveira / arquiteto, urbanista e cronista / Agosto de 2026

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