BEM-VINDOS À CRÔNICAS, ETC.


Amor é privilégio de maduros / estendidos na mais estreita cama, / que se torna a mais / larga e mais relvosa, / roçando, em cada poro, o céu do corpo. / É isto, amor: o ganho não previsto, / o prêmio subterrâneo e coruscante, / leitura de relâmpago cifrado, /que, decifrado, nada mais existe / valendo a pena e o preço do terrestre, / salvo o minuto de ouro no relógio / minúsculo, vibrando no crepúsculo. / Amor é o que se aprende no limite, / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida. / Amor começa tarde. (O Amor e seu tempoCarlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A rua onde você morava


A cidade de Liverpool foi parar no centro do mundo quando aqueles quatro garotos — na época ainda não tão cabeludos — resolveram se juntar para compor e tocar suas músicas; e anos depois serem consagrados como a melhor banda de todos os tempos. Eles saíram de lá para serem eternos em nossas vidas, na minha inclusive. Os Beatles também retribuíram com amor à cidade tudo que Liverpool lhes proporcionou. Canções brotaram em seus discos e cultuaram pessoas e lugares que ninguém jamais imaginou existirem. Lugares e caminhos por onde andaram

John Lennon escreveu na letra da canção “In my life”: “há lugares dos quais vou me lembrar por toda a minha vida...”. Já “Eleanor Rigby”, composta por Paul, ganhou uma estátua em Liverpool. A dúvida é: aquela velha senhora solitária existiu ou foi mais uma ficção imaginada na cabeça de Paul? Aquela cidade ficou definitivamente marcada para sempre na vida dos quatro e depois em nós, que, apesar de nunca termos vividos lá, ficamos herdeiros desse saudosismo, das suas memórias. Eu ainda não a conheço, mas antes ir para minha casinha no campo, vou andar por lá...

Alameda Penny Lane é uma estreita rua de Liverpool, com pouco mais de 11 metros de largura e quase 800 de extensão; localizada no subúrbio da cidade, com comércio tipicamente local, misturado entre residências de tijolos à vista com janelões tipo “bay-window”. A magia é que Penny Lane se tornou a via pública mais famosa do mundo, pois nenhuma outra ganhou versos numa canção e ficou imortalizada nos quatro cantos do planeta. O que ela tem de especial? Nada, aparentemente, mas tem um sabor doce de apego, amor e de boas lembranças de um lugar. Foi lá que Paul McCartney bebeu da fonte e descreveu em seus versos o amor por sua terra natal. Paul extraiu dela sua essência, o sumo na rigidez do seu tapete de pedra: um barbeiro chamado Bioletti, um banqueiro, um bombeiro e uma enfermeira; todos vivendo embaixo de um céu azul suburbano — assim diz a canção de Paul. John Lennon contou depois que Penny Lane não é uma rua, sim um bairro distrital e lá morou numa rua chamada Newcastle Road. Depois concluiu: “só eu morei em Penny Lane”.

Como num museu a céu aberto, há muitas visitações hoje em Penny Lane; contam que, os turistas roubavam as placas da rua para levar como suvenir. A Prefeitura não se cansava de substituí-las sempre que alguém cometia o "bom" delito. De um tempo para cá as placas foram substituídas por pinturas nos muros e nas fachadas: PENNY LANE L18. O sonho não acabou — nunca acabará — e Penny Lane será eterno ponto de partida da trajetória dos Beatles e de um amor que para sempre queremos lembrar.

Olho para dentro de mim e não tenho uma rua para chamar de Penny Lane. Todos nós temos uma rua para chamar de sua, como adotamos uma árvore, um bicho, ou um amor de infância. Lamento. Tento imaginar se a rua onde nasci e vivi merecia uma canção ou um poema. Não consigo ver algo que me chame a voltar nela com versos ricos. Nunca houve barbeiros, bombeiros morando lá, nem houve comércios e muito menos casas com janelas bay-window; mas havia algo parecido: estava embaixo de um céu azul suburbano também. Suas casas pouco mudaram e seus moradores também. Nem é minha intenção de torná-la famosa. Minha rua sempre foi modesta e hoje continua lá com seus paralelepípedos seculares — espero nunca serem trocados pelo asfalto que pune as brincadeiras de rua; a resistência daquele pavimento de pedra preserva ainda a característica de bairrismo e localidade.

Ainda lembro-me dela com seu leito de terra, jogávamos futebol e também brincávamos de queimadas — permitindo assim que meninas também brincassem. Havia passagem de carros de boi de quando em vez, algo tão incomum nos dias de hoje. Ali também era o trajeto das procissões de fé daquele povo. Fora isso não tem mais nada a contar; nem quem morava lá era tão importante assim. Havia sim, uma velha senhora que vivia sozinha numa casa de quintal imenso, e tinha como companhia muitos cachorros e outras criações como marrecos e patos. Minha rua não tinha o aspecto urbano e o romantismo de Penny Lane e Paul também nunca passou por lá.

Nas viagens que faço das minhas memórias, tento buscar e vejo agora a rua onde você morava. Talvez seja ela Penny Lane no meu imaginário; aquela que queria ter meu coração partido em mil poemas. A ela dedicaria uma canção se inspiração me viesse ardente no peito: sairiam notas em versos lindos de recordações, como em Penny Lane. Por muitos sonhos, nunca estive lá também, mas meu coração passa por ela quando em mim derrama sua saudade. Neste momento ela está aqui ao meu lado querendo viver, não vou deixá-la partir de mim. Quero chorar com ela, mesmo sem você. Sentir porções de saudade é bom, mas sentirei só dos momentos que vivi ao seu lado, naquela rua. Prometo, serão breves palavras.

Era uma alameda também suburbana, de pouca extensão, uma suave ladeira de piso de pedras brilhantes, com árvores frutíferas na calçada e casas simples sem arquiteto (simples com cadeiras na calçada...); janelas ornadas de flores com suas moças debruçadas, e nos outonos: que a vida nunca passe tão depressa... Das poucas casas, você morava na maior da rua: térrea e esparramada num terreno de quintal longínquo, como eternos campos de morangos. Do outro lado da rua, morava uma senhora que fazia doces caseiros e estendia roupas cantando madrigais que ouvia do coral da igreja; ela abrigava também sua filha, aquela que era sua melhor amiga da rua. Subiam correndo a pequena ladeira de pés descalços, pulando fogueiras de São João e amarelinhas; as brincadeiras de rua eram sua predileção até anoitecer. Na chuva, você se deliciava com o rio que corria no meio-fio. Entre sua casa e o muro, era o sol, que vergonhosamente se escondia nos fins de tarde de inverno; à noite, as estrelas se amontoavam no céu e cintilavam os telhados terra cota; e não muito longe o repicar dos sinos da matriz que despertavam os fiéis nas manhãs de domingo. É assim que meu coração me traz à rua onde você morava. E agora conduzem também os seus olhos de volta aos meus: doces lembranças.

Esta é a sua Penny Lane, a que imaginei e guardei para você no dia do seu aniversário. A sua canção. Uma rua inteira, sem saída, sem medida, sem cidade, sem rancor, sem mágoa, sem tristeza e sem fim; onde o amor habita infinito, como céus azuis e que continua a sua casa no subúrbio da minha alma. Estará para sempre nos meus ouvidos, nos meus olhos — como em Penny Lane.

© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / junho de 2010.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Penny Lane em meus olhos


Escrever neste clima de Copa é complicado. Vira e mexe você lembra das vuvuzelas, da jabulani que bateu caprichosamente na trave no chute de Cristiano, no gol de “manga de camisa” de Luis, da cara de poucos amigos de Dunga... O barato é que isso me contagia. Lembro da minha primeira Copa, eu fui comprar cigarros no intervalo de Brasil 1 x 0 Inglaterra. Claro, fui comprar para o meu primo, eu era ainda um fedelho esperto. O que mais me chocou foi ver as ruas desertas, aí eu me perguntava: Onde está todo mundo?
Agora estou escrevendo algo sobre certa rua chamada Penny Lane. Ela foi inspiração de Paul McCartney e onde eles talvez tenham se encontrado pela primeira vez. Sempre é bom lembrar: a primeira Copa, a primeira vez, o primeiro encontro, o primeiro amor. E tudo nunca mais esqueceremos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Filhotes da Ditadura


Faço um parêntese nos textos líricos e poéticos, para trazer à reflexão um assunto que também faz parte da vida de todos nós: o momento da política nacional. Ando pela rua e vejo um clima totalmente ufanista, reluzente em verde e amarelo; são brasileiros com suas caras pintadas e soltando a voz com a mão elevada peito: sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor! Há explicação, vivemos mais uma Copa do Mundo e o Brasil está lá, mais uma vez, representado pelos seus bravos soldados. De quatro em quatro anos ressuscitamos este “amor” à pátria – o que muitos dizem ser a pátria de chuteiras. Como um amante do futebol, torço sempre pelo Brasil, é claro. Mas lamento que as bandeiras brasileiras sejam retiradas das sacadas dos edifícios e outras pequenas das antenas dos automóveis assim que termina a Copa. Uma pena que esse amor seja efêmero e não contagie também a nação em ocasiões onde somos chamados às decisões políticas. Somos patriotas nas competições esportivas e não somos nenhum pouco em outras disputas por: esclarecimentos, transparência, cobranças, reivindicações e justiça social. Neste ponto, abstemos dos assuntos e procuramos outro com menos incômodo e chateação.

Como tenho falado nas rodas de conversa, em política partidária, não me posiciono para lado algum: nem Arena e nem MDB, nem democrata e nem republicano. Já tentei viver essa tolice. Agora prefiro ser do partido que John Lennon sonhou em “Imagine”: “imagine all the people / sharing all the world...” Assim também penso que, o melhor indivíduo politizado – e eu estou caminhando para isso – é aquele que pensa e decide livremente, colocando seus pensamentos no terreno onde reina a justiça, a ética, a lógica, o bom senso, e sob a luz dos fatos. Isso mesmo, pensar e decidir com minhas próprias convicções. Não acredito em partido político e digo que, eles existem somente para juntar bandos de um lado e de outro como numa partida de futebol da penitenciária; respeito sim, a natureza de quem (indivíduo) constrói sua biografia com dignidade e se utiliza da política, como meio para construir uma nação melhor e mais justa para todos. Já sei, vão dizer: agulha no palheiro. É difícil, pois encontraremos poucos assim, mas ainda sonho com isso. Nós precisamos ser melhores na decência (extraindo de um dos livros de Lya Luft – Múltipla Escolha) e não em escolha partidária. É o que falta. Se ao menos eles tivessem mais decência e ética...

Num desses momentos do passado da política nacional, o então candidato à Presidência da República Leonel Brizola, apregoou a Fernando Collor – seu adversário nas eleições de 1989 - o título de “Filhote da Ditadura”. Filhote quer dizer cria animal e também pode ser também entendido como indivíduo protegido (Larousse). Isso virou deboche, foi lembrado e servido na bandeja em outros cenários e eleições posteriores; e há quem realmente acredite que só a Fernando Collor cai bem este título. Não vou perder tempo em falar dele (ou delle), afinal sua reputação e biografia estão mais que maculadas pela herança que deixou do seu passado político. Já pagou por isso com o impedimento por alguns anos na “geladeira” e longe do exercício de cargos públicos. Também sei que, como na lenda do escorpião, ele sempre seguirá a sua natureza e no momento que lhe convir dará a picada, com seu veneno mortal, até mesmo no dorso de quem o ajudou atravessar a tempestade. É a natureza da política que herdou e agora pactua com os que estão no poder.

Depois de refletir e acompanhar os andaimes da política nacional, pedirei licença para discordar, ou colocar um “ops” nas palavras do falecido Governador. Vejo como os únicos herdeiros e filhotes da ditadura, essa gente que hoje se empoleirou no poder e ali querem perpetuar - a qualquer preço. Bravateiros, corruptos, eles chegaram lá e agora só têm um objetivo: um verdadeiro plano de poder por muitos anos com enriquecimento pelo capital alheio. Chamo-os de filhotes da ditadura, pois eles não existiriam sem ela. A ditadura os tornou visíveis, os tirou dos calabouços e os criou como verdadeiros heróis que nunca foram. Agora, se apropriam de tudo, inclusive da história do país. Não! O Brasil não tem história, eles começaram construir a partir de 2003. É o que pregam. O Brasil pós-golpe de 64 viveu debaixo de um regime militar – diga-se de passagem: um mal necessário. Epa! Necessário, pois no final demos mais importância à liberdade de expressão e aprendemos um pouco do que seja democracia. Eles agora vivem do passado, adulam a ditadura para serem reconduzidos ao presente como verdadeiros defensores da moral e da ética que nunca tiveram. Mas quem diz quem são eles? Ah! São eles mesmos. Atribuem só a si os méritos por vivermos a democracia que o país alcançou. O Brasil iria caminhar para uma democracia, quisesse ou não esta gente. Não quero entrar aqui no mérito de outro posicionamento: se de esquerda, de direita ou centro – isso pouco importa à nação e ao cidadão decente -, se seguidores de Che Guevara e da linha castrista de Cuba. A verdade é que, nenhum desses também viveu para ver a humanidade melhor. Eram carniceiros e adoravam amontoar cadáveres.

Espalhados por aí, há os que o sustentam e defendem esses ditames e esse modo egoísta de governar (para si). Na política rasteira, o que há hoje é um grupo serviçal entranhado nos corredores das universidades, nos meios de comunicação, ONG´s e sindicatos afins; são os que preparam palanques, defendem e multiplicam as ideias, essas que lhes plantaram; são instrumentos manipulados de um partido político, e servem a ele. Esse, por outro lado, lhes impuseram ordens para que pensem como deseja, com suas teorias conspiratórias e espalhando o ódio (ao inimigo). Esses bandeiristas, não são livres para pensar, são serviçais de partidos e rezam sua cartilha, mesmo que toda pregação seja contrária aos seus próprios princípios: morais, religiosos e de caráter. Depois, com o tempo, até se esquecem de quem são e perdendo a própria identidade.

Não sei onde isso tudo irá chegar e se realmente temos que passar por este período letárgico. Espero que não dure muito, já estou cansado. Com tanta reverência e flerte às ditaduras pelo mundo, inclusive na América Latina, não me surpreendo se um dia vermos novamente o país debaixo de outro regime de ditadura, agora orquestrado por eles. O Brasil terá que pagar para ver e seu povo muito mais. Quando iremos poder soltar a voz? Quando iremos viver o verde amarelo em amor e respeito à pátria amada sem o ufanismo de Copa do mundo? Quando teremos um país menos torcedor e mais politizado?

Enquanto esses dias não chegam, eles continuarão enaltecendo o passado de “filhotes” que são e surrupiando nossos sonhos na calada da noite; já o futuro, vai sendo costurado na escuridão, sem a certeza do verde e amarelo que tanto nos orgulha. É isso, a pocilga está sendo cercada em seu próprio intelecto. Agora, alimentem os porcos.

© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / junho de 2010.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

É só aguardar...


O futuro chegou! Sim, e com ele novas tecnologias, novas ferramentas - tudo para facilitar nossas vidas. São tantas novidades que não conseguimos nos atualizar. Tudo ficou mais rápido. Afinal, mundo globalizado não pode haver perda de tempo: internet, cartão magnético, celular, chip, ipod, iphone, Google earth, GPS, TV a cabo, tudo deixou o universo mais ligeiro e melhor. Será? Vai chegar o dia em que vão mexer no movimento de rotação da terra para termos dias mais curtos ou mais longos, conforme o gosto e o tempo que se quer dar a vida. É só esperar para ver.

No atendimento ao público, por exemplo, houve avanços e inovações. Hoje já vemos coisas do gênero: área vip, camarote vip, estacionamento vip, caixa preferencial, convênio particular, sala de espera, personalité, SAC e outros. E as frases que você já acostumou a ouvir? “só um minutinho”, “aguarde na linha para ser atendido”, “já vai começar”, “tecle 9 para voltar ao menu...”, “não vai doer”, “já vai passar”, “desculpe-me”, “é só aguardar”.
Pegando por esta linha, já perceberam como anda a saúde no Brasil? Não, não estou falando do SUS, estou falando do pago mesmo; aquele de convênio particular com mensalidades altíssimas que você opta por acomodações diferenciadas e tem tratamentos diferenciados também para a mesma doença. Se você começar a imaginar vai ver como é comum a seguinte situação no nosso cotidiano:
Um casal de classe média levando a filha menor para um atendimento de emergência num hospital particular. A criança só tomou 11 gotas de rivotril. Descuidos dos pais? Sei lá. Sabe aquela coisa: remédio + criança, atração fatal? A criança começou a ter náuseas e vômitos, os pais saem em socorro para o melhor hospital, afinal, tem um convênio particular. Ao chegar ao pronto atendimento, já com gente saindo pelo “ladrão”, são recebidos prontamente por um homem de farda que você nunca sabe qual a sua função, se é vigia, se é recepcionista ou o escambal. Pelo sorriso e gentileza, você vê logo de cara que o atendimento será rápido, pois sua filha está mal. Então o homem orienta:
- Por favor retire a senha ali, depois é só aguardar.
No canto há uma maquininha, onde você aperta um botão e retira uma senha. O número é 68 e no painel logo a frente da recepção eles vêem 59. Como são 03 atendentes, vai ser rápido, afinal o atendimento é particular. Bom, o jeito é ter aquela velha paciência, acalmar a criança e como diz o “vigia”, é só aguardar. Quando finalmente o painel pisca o número 68 indicando o guichê n.º 3. Sentam-se esperando. A atendente não desgruda o olhar da tela do monitor. Claro, tudo para facilitar e agilizar o processo. Tudo muito rápido. Sem olhar para os dois, a atendente diz:
- Só um minutinho.
Levanta e se dirige até o guichê ao lado e começa apontar para a tela do monitor da atendente vizinha como se tivesse ensinando algo que ela não sabe. Depois volta e olhando agora para sua tela diz:
- Por favor, senhor, os documentos.
O pai entrega seus documentos e já sai consultando ali mesmo com a moça:
- Sabe, nossa filha tomou um medicamento...
A atendente nem presta atenção e começa a preencher o cadastro. Sim! Um cadastro mesmo, porque ficha de entrada não se pergunta nome do pai, da mãe, dos avôs, escolaridade (a criança ainda não foi alfabetizada), e-mail, endereço, CEP e por último a pergunta fatal:
- Qual o convênio?
- UNIMED.
- Desculpe-me Senhor, mas aqui neste setor não atendemos este convênio.
- Ah é? – responde o pai.
- O senhor deve se dirigir ao segundo andar; primeira porta a sua direita.
- Tá bom, o.k.
Quando o pai vai saindo com a mãe e a filha no colo a atendente interrompe:
- Senhor, o elevador está em manutenção, à escada é ao lado.
Quando já estão saindo, vem o homem de farda:
- O senhor é o dono veículo estacionado na frente do hospital?
- Sou sim – responde o pai assustado.
- Bem, Senhor, ali não é permitido estacionar. O senhor deverá retirar o veículo. Na rua de trás há vagas.
- Tudo bem, estou indo...
O pai deixa a criança com a mãe e sai correndo tirar o veículo.
A mãe sobe a escada com a criança no colo. É só um lance de escada.
No segundo andar aparenta ser melhor: poucas pessoas e com melhores acomodações na espera, havia até lugar para sentar. Atendimento VIP. O “cadastro” não é tão longo assim, não perguntam nem os nomes dos avós paternos. Alguns minutinhos depois a atendente entrega a senha de atendimento do médico e diz:
- Agora é só aguardar.
Realmente só há duas crianças na fila do plantão da pediatria. Tudo no mesmo andar, sem precisar descer a maldita escada. Vamos lá, calculando dez minutos para cada consulta, daqui a vinte minutos está tudo resolvido.
Neste tempo chega o marido com a camisa molhada e suando em bicas. Não se sabe se foi pela escada que enfrentou, se foi para encontrar uma vaga na rua ou se foi por causa das duas situações.
Trinta minutos depois aparece o número no painel. Finalmente. O médico abre a porta com aquele sorriso e já sai brincando com a criança:
- Olá minha princesinha, que houve com você?
A criança não dá a mínima para o médico e se esconde no ombro da mãe.
Quando o pai vai adiantar o assunto da consulta toca um celular. Era o do médico. Ele diz:
- Só um minutinho.
Era sua mulher do outro lado da linha, acertando os últimos detalhes da sua viagem para um congresso de pediatria no final de semana em Salvador. Alguns minutinhos depois desliga:
- Desculpe-me, era minha mulher. Vamos lá, o que houve com a princesinha?
O pai, já impaciente, dispara a falar. Antes mesmo que concluísse o médico diz:
- Vamos examinar?
Pega a menina no colo, deita numa maca, põe o estetoscópio no peitinho da criança, abaixa as pálpebras, olha a língua e conclui:
- Olha, ela não tem nada, acredito que foi só um susto.
A mãe que entrou muda, com olhar de surpresa, continuou a não dizer nada.
O pai, então:
- Ah é, não tem nada? Só um susto?
O médico:
- Sim, vão prá casa e façam um chazinho de camomila prá ela e coloque-a prá dormir. Amanhã ela já estará melhor. É só aguardar.
Saem do consultório mais aliviados ao saber que nada havia com a “princesinha”, mas com certo desconforto.
A criança já dormia no colo da mãe e não se queixava mais. Sem dizer uma palavra vão embora.
Quando estão passando pelo portão de pedestre que dá acesso à rua, ouvem uma voz chamando:
- Senhor! Senhor!
Era o vigia/recepcionista segurando um papel vindo em direção ao casal.
- O Senhor esqueceu.
- Esqueceu o quê? – indaga o pai, já irritado.
- O senhor esqueceu de preencher o formulário de avaliação do atendimento e sugestões.

© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / julho de 2008.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Yeh, yeh, yeh


Um dos trechos fortes e marcantes da música “The Boxer” – Paul Simon é o refrão onde não há letra, ele e Garfunkel cantam somente o “La-ia-lá” (lie-la-lie...). Este trecho é universal, não precisamos entender ou falar inglês para cantar. É onde conseguimos cantar com o disco sem medo de errar, fácil de guardar, fácil de cantar. Numa gravação de 1974, o “La-ia-lá” foi substituído por uma flauta zamponha do Grupo peruano Urubamba, lindíssima também.
Os Beatles usavam muito desse recurso. Tanto é verdade que na década de sessenta no Brasil se dizia que eles eram “os reis do iê, iê, iê”; título em português dado ao filme “A hard days night” de 1964. A expressão “iê, iê, iê” ficou imortalizada e marcou para nós brasileiros o estilo de música que eles faziam na época, que nada mais era que o tal de rock n`roll - com suas variações. A Jovem Guarda se utilizou muito desse estilo Beatles com versões em português das suas músicas. Ronnie Von (que não era da Jovem Guarda) gravou “Girl”; já Renato e seus Blue Caps abusaram, fizeram várias versões dos Beatles. Em 1966, o primeiro filme dos Trapalhões se chamava “Na onda do iê, iê, iê”. É claro que o tal do “iê, iê, iê” queria dizer um modo, um estilo de vida que começava a partir da música dos Beatles. Na raiz da expressão, a onomatopeia beatle surgiu com a música “She loves you”, cujo refrão diz: “She loves you yeh, yeh, yeh / She loves you yeh, yeh, yeh”. Em português, virou “iê, iê, iê”. Numa outra canção “Hey Jude” o “lá, lá, lá” é um convite a cantar junto no final da música: “lá, lá, lá, laia, lá Hey Jude...”. E todo mundo canta.
Este conversê todo surgiu ouvindo no trânsito a canção “Grão de Areia” de Arnaldo Antunes; percebi nitidamente esta proposta onomatopeia de não querer dizer nada num trecho da letra. Arnaldo também é mestre nisso: usar as palavras ocultas. Há momento na letra que não há mais nada o que dizer; nessa hora as palavras se fundem com a melodia. Parece que nada preencherá ou tudo será permitido dizer; é onde o Lá, rá, rá, rá ou lá, lá, lá entra; deixando a imaginação de quem ouve viajar num mundo que ele escolher, na palavra que lhe vier à cabeça.

Grão de Areia(Arnaldo Antunes)
Me deixe sim
Mas só se for
Pra ir ali
E pra voltar

Me deixe sim
Meu grão de amor
Mas nunca deixe
De me amar

Agora as noites são tão longas
No escuro eu penso em te encontrar
Me deixe só
Até a hora de voltar

Me esqueça sim
Pra não sofrer
Pra não chorar
Pra não sentir

Me esqueça sim
Que eu quero ver
Você tentar
Sem conseguir

A cama agora está tão fria
Ainda sinto seu calor
Me esqueça sim
Mas nunca esqueça o meu amor

É só você que vem
No meu cantar meu bem
É só pensar que vem
Lá ra ra rá

Me cobre mil telefonemas
Depois me cubra de paixão
Me pegue bem
Misture alma e coração.

© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / junho de 2010.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Balões Cristalizados


Meu professor da FAU — Faculdade de Arquitetura e Urbanismo — dizia que crianças e adultos têm diferentes percepções em escalas de grandeza. O que ele quis dizer com isso? O que é grande para uma criança, já não tem a mesma dimensão para um adulto. Minha avó paterna — seguindo os velhos hábitos da vida que trazia do campo — todos os anos plantava milho em seu quintal. Depois que fazia sua pequena colheita, aquele quintal virava um campinho de futebol para nós. Na minha cabeça e para meu corpo tudo era imensurável. Hoje, presumo que mal daria para estacionar uns três automóveis.

Quando ficamos adultos, além de perdemos essa escala, que também vem com a imaginação, deixamos outras riquezas para trás. Já repararam que tudo que uma criança faz é serelepe, correndo? É energia pura que depois perdemos com a velhice. Criança é assim: você pede alguma coisa e ela sai correndo disputando corrida uma com a outra ou com ela mesma. E quando há prêmios, corre mais ainda. Depois que ficamos adultos, junto com o peso das pernas e a indolência, tudo se torna mais lento.

Outra riqueza que perdemos quando deixamos a infância é a capacidade de olhar para o céu, enxergar coisas que só crianças veem. Eu via muitas coisas no céu, durante o dia e à noite, muito além das estrelas. Não importava onde estivesse: debruçado na janela, estirado na grama, andando na calçada ou no meio da rua. Eu não tirava os olhos do céu. Ou eram astros, ou eram pipas, ou eram balões.

Depois da exaustão das peladas da rua de paralelepípedos, ficávamos esparramados na calçada com a cabeça sobre a bola, mirando o céu a procura de algo. Em poucos minutos os olhares eram arrebatados. Quais desenhos as nuvens podiam formar? Víamos cavalo-marinho, elefantes, girafas, homens gigantes e, às vezes, se via Deus também; e sempre com aquela cara de bravo. Havia outra visão maluca: à noite, a lua cheia era um ventre de uma mulher com feto. O Cruzeiro do Sul, a Via láctea, as Três Marias, tudo virava desafio. Em que ponto do céu estará hoje? Já os pontos cardeais e a linha do equador, esses eu nunca vi... Ah! Apontar estrelas com o dedo fazia surgir verrugas; às vezes eu apontava, mas recolhia rapidinho.

Akira era um japonês sem rosto, ou aquele que tinha a feição das pipas que fabricava. Uns diziam que tinha 15 anos, outros lhe davam menos. Eu nunca o vi, só sabia que morava a uns dois quarteirões da minha casa. O melhor e mais famoso fabricante de pipas era um fantasma, mas era olhar para o céu eu identificava as suas. Eram pipas majestosas, soberbas, coloridas e bonitas. Quando não havia "caçadas", elas reinavam sozinhas no céu, soberanas aguardando uma peleja; quase que paralisadas, flutuando com sua rabiola gigante parecendo calda de cometa. Eu gostava mesmo era quando ele derrotava seus adversários usando sua mais exuberante invenção: o chicote. Era uma linha com cerol que se estendia além da rabiola. Quando ele partia para cima, nunca perdia uma caçadinha.

Nessas temporadas de pipas eu vivia pela rua. Não sabia fazer uma pipa sequer e às vezes que teimei, saiam pensas e feias. Assim como Hassan, eu sabia mesmo era correr atrás delas quando as linhas eram cortadas. Sob sol ardente, eu corria, corria até rosar e salpicar as bochechas de sardas — essas que no banho eu esfregava para tirar de tanta vergonha que me causavam. Nas minhas contas não me lembro de quantas pipas “cacei” por aí. Acho que foram poucas, em outras eu era contemplado pela sorte quando elas enroscavam no pé de laranjeira no fundo do nosso quintal. Essas vinham de graça, pois não custava a correria e nem as sardas do rosto.

Entrava o mês de junho eu ficava à noite mirando o céu. Agora eram os balões. Quatro ou cinco por noites me acendiam. Balões e estrelas. Havia balões de diversos formatos e ciências: diamante, charuto, pião, caixa e mexerica — que eu me lembro. No caminho até a quermesse da igreja meus olhos não desgarravam do céu, o que me causavam alguns tropeções. Quantos discos voadores devem ter me confundidos e eu nem percebi.

Diferente das pipas, fabricar balões era mais penoso; requisitava mais habilidade e prática. Eu sabia a técnica de tanto observar e dava minha contribuição como um verdadeiro AFB — Auxiliar na Fabricação de Balões. Meus irmãos mais velhos e primos é que eram os verdadeiros artesãos. Balões não se mediam por tamanho, mas sim pelas quantidades de folhas de seda que cabiam. Havia os de dezesseis, vinte quatro folhas e até mais. Sempre em números pares. As folhas de seda eram coloridas e coladas com cola espessa para não deixar o ar quente vazar. A arte final era fazer a mecha de fogo — aquilo que iria fazer o balcão ganhar os céus; e isso custava alguns retalhos de estopa, parafina e querosene. Depois de enrolada, com a parafina semeada no tecido, a estopa era amarrada com arame e embebida no querosene. A mecha ia à boca do balão. Pronto, agora era descer até o quintal e viver.

Lembro do meu último balão. Foi numa noite que havia jogo do Brasil da TV. Quando o jogo acabou e já passava da meia noite, fomos para o quintal. Minha missão naquela operação de lançamento foi segurar uma das pontas. Depois do fogo ateado esperamos o balão inflar. A parafina derretendo, soltava um cheiro e a cor azul de de pingos de fogo que caiam no chão. Ao meu primo mais velho foi dada a incumbência de fazê-lo subir. Ele apoiou levemente a boca do balão com as mãos e com pequenos impulsos para cima lançou até ganhar força e começar a subir. O ar quente dentro do balão e o vento completaram seu esforço. Naquela noite foi lindo, ele subiu, subiu e seguiu sentido leste até desaparecer nas nuvens e não conseguir ver mais. Ficamos felizes. Mais tarde, já debaixo do cobertor, fiquei pensando onde estaria agora o balão, a que altura já chegou? Na minha cabeça os balões não caiam; depois de alcançar a atmosfera terrestre eles cristalizavam.

Já faz alguns anos, os noticiários têm alarmado que fabricar, transportar e soltar balões é crime, pois os balões quando caem provocam queimadas em pastos, plantações e canaviais; e nas áreas urbanas caem sobre casas e até nas linhas de alta tensão. Então, eu te suplico, meu caro leitor: não solte balões! Faça como eu, guarde-os na memória.

Na minha cabeça eles ainda só sobem e não caem, nunca!; e nem incendeiam plantações. São milhares pelo céu da minha infância; nas escalas de grandezas que guardo do meu universo criança e diante dos meus olhos serão como noites sem fim... Balões não caem como estrelas cadentes, eles cristalizam no céu e viram estrelas de cor âmbar; aquelas que dizem ser planetas. Neste ano, quando junho chegar, vou me estirar na relva e mirar para o céu à noite toda, procurando estrelas e balões perdidos; e quando meus olhos forem atraídos para o leste eu verei meu velho balão. Ele estará lá, cristalizado.

© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / maio de 2010.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Crônicas e bolinho caipira

É inegável, o melhor bolinho caipira está aqui no Vale do Paraíba, minto, nunca apareceu outro igual, ou melhor. Para ser bem preciso o mais saboroso está em São José, no Bairro de Santana, na casa da minha mãe. Eu posso dizer. Nunca pesquisei, mas creio que a receita é centenária e vem atravessando gerações até nossos dias. É claro que houve inovações, onde se substitui a carne por queijo ou lingüiça calabresa. Ainda bem que essas iguarias não perdem o sabor nunca, vão passando de mãe para filha, de filha para neta... Sempre mulheres.
Sei que hoje a cidade espichou e já tem automóvel demais nas ruas, mas ainda conserva este ar interiorano, das festas de junho regadas a bolinho caipira, quentão e quadrilha. Ainda nos permitimos viver tudo isso; ainda conseguimos olhar o céu à noite e ver algumas estrelas.
Pegando esta toada, este escrevinhador – aprendiz das palavras -, está preparando a próxima crônica para o Blog. Batizei-a de “Balões Cristalizados”. É uma volta ao passado, com estrelas cadentes, infância, pipas e balões. Só não diz nada sobre bolinho caipira, mas o cheiro... hummm.

Antonio.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Eu não tenho mais tempo para errar


Quando eu tinha 18 anos, fui levado pelo delírio de uns amigos a escalar a Pedra do Baú em São Bento do Sapucaí — SP, a 1950 metros de altura. Confesso que foi uma aventura perigosa tentar subir aquela “parede” sem nenhum equipamento de segurança; com mochila nas costas e se apoiando somente em escadas de ferro engastadas na pedra. Ah, só para apimentar mais a aventura, em alguns trechos não havia escada, tínhamos que segurar e pisar em pedras mesmo e...rezar. Que loucura! Não sei se fui intrépido ou fiz aquilo para não passar por medroso diante dos meus amigos, mas pus minha vida ali em resvalo com a morte, exatamente esta única que tenho. A despeito de não chegar até o topo, pois fui prudente comigo, descobri o meu limite. Até onde me permiti chegar ainda pude apreciar a bela paisagem da Serra da Mantiqueira, e isto já me bastou. Voltei feliz do passeio.

Nessa idade, muitos de nós homens, queremos desbravar o mundo, desgovernar as rotas que nos são dadas, navegar sem bússola e arriscar tudo; se atirando no vazio da escuridão só para sentir a emoção do salto, a adrenalina efervescente e pulsante em nossas veias. É a fase em que a vida se torna um verdadeiro bungee jump. Não temos medo de errar o passo adiante e cair no calabouço da dor e da angústia. Permitimos os primeiros pileques e andamos em bandos para chamar atenção. Mas chamar atenção de quem mesmo? Experimentamos todos os tipos de venenos e paixões. Apaixonamos sem saber sequer se os signos combinam — vê se pode isso! Paixões platônicas e não correspondidas. Lançamos o coração nas relações, como saltamos de cima da ponte para dentro das águas turvas de um rio, sem saber o que iremos encontrar no fundo. Subimos montanhas sem medo de pisarmos em pedras soltas. Ficamos vulneráveis às delícias da vida sem saber as consequências e o risco que corremos por colocar nossa vida na ponta de um trampolim ou nos ganchos do alto de uma montanha, onde só temos nossos pés para apoiar e as mãos para segurar a ponta de uma pedra. O céu é nosso limite.

Não posso negar que vivemos pequenas aventuras já na infância. Quando criança, nós só iremos aprender a andar, caindo; e caímos muitas vezes antes dos primeiros passos. Depois vamos só entender o que é o choque elétrico quando enfiamos o dedinho na tomada. Assim seguimos pela vida, caindo e levantando, desafiando o perigo em muitas vezes como forma de aprendizado; em outras como inconsequentes, colocando o coração à frente dos pés e da razão.

Vivendo esperanças, alegrias e decepções; sofrendo por fazer escolhas erradas e arriscar com os olhos vendados: como se dará o próximo passo ao abismo ou à felicidade eterna que se enseja. Profundamente mergulhamos em mar revolto sem perceber o perigo iminente. Até que depois de algumas costelas quebradas e corações partidos chega o dia em que uma luz se acende em nossas vidas; como um candeeiro iluminando o caminho. Seja por nós mesmos ou pelas mãos de nossos pais — sábios guardiões dos nossos passos — abriremos os olhos para novos horizontes. Haverá aqueles que não ouvirão as vozes de seus guias e guardiões e por isso terão de aprender sozinhos, apanhando mais um pouco.

Depois de algumas quedas e desenganos, recostamos nossas cabeças e nos recolhemos ao interior. Nessa conversa franca e sincera, decidimos, por fim, fincar nossos pés em terrenos firmes e férteis. Amadurecidos ou experientes, como queiram, não atrevemos mais escalar pedras íngremes em busca de felicidade e prazer, já não queremos a aridez de corações insensatos e desertos; apavoramos com certas aventuras e apontamos nossos objetivos naquilo que é mais palpável e em laços fortes que não desatam. Não queremos dar mais tempo para ficar provando o fel esperando que um dia se torne doce.

Num mesmo dia ouvi de duas mulheres — já vividas e maduras — a mesma frase: Eu não tenho mais tempo para errar! Num tom quase de desabafo, fiquei sem resposta do que ouvi. Como se a felicidade fosse uma carruagem passando à porta e não haveria mais outra chance de encontrá-la num lugar no futuro; o tempo é seu adversário — acreditam. Assim, não haverá mais chance de errar e pisar em pedras soltas pelo caminho ou tropeçar nelas. O tempo galopa com o vento e lá no fim há um pote de ouro que é preciso encontrar: a felicidade, o ápice, o paraíso enfim; e antes um precipício a nos desafiar e um labirinto por percorrer. Essa é a estrada, a de todos nós...

Entendo, para essa mulher que já passou pelos 30 anos, há outra preocupação com a cobrança que a sociedade lhe impõe, em especial sobre o tempo minguado que a natureza lhe reservou para maternidade. Como já ouvi de algumas delas: “nós temos prazo de validade”. E para muitas, a felicidade está associada ao modelo de vida tradicional: casar, ser mãe e constituir uma família. Elas se queixam de não ter mais tempo para se arriscar numa relação onde não há reciprocidade e objetivos iguais, pois a maioria dos homens ainda continua escalando suas montanhas.

O que querem estas mulheres? Elas, na verdade, não querem mais semear em terreno árido, onde não darão frutos, relacionamentos viciados; e esses também onde as pessoas se juntam para depois ficarem só consigo; cada um no seu mundo particular, puxando a corda para o seu lado. Juntas, mas caminhando em rumos opostos.

Gostaria de encontrar estas duas mulheres de novo e agora poder contar-lhes da minha escalada, dos meus limites, dos meus saltos e quedas. E com o pouco que aprendi na minha jornada, dizer: "coragem, coragem!" Não há culpas ou remorsos, pois à vida demos o melhor de nós. No lado desconhecido da pedra que se deseja escalar deve haver uma trilha na mata, um caminho mais seguro e menos íngreme; um caminho apontado por Deus, onde não há abandono e tristeza, mas um caminho...

Talvez demore mais para chegar, mas chegaremos mais seguros ao mesmo lugar. Se não houver, abriremos trincheiras com a mesma presteza que fizemos para sair do berço e andar. Direi também, que o tempo não é mais nosso inimigo, ele é o remédio com doses diárias para as feridas da alma; para amar e viver, ele é nosso aliado, pois nos deu as lições dos tombos que levamos. Vou errar ainda na minha caminhada, eu sei, quem sabe desvie por alguns atalhos incertos, mas sei que haverá tempo para voltar com retidão e começar tudo de novo.

E ainda restará outro tempo. O tempo para amar e contemplar o nascer do sol do alto de uma montanha.

© Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / maio de 2010.

O álbum impossível


SE OS nomes de Kanga Akale, Cha Jong-Hyok e Martin Skrtel não dizem nada para você, sorte sua. Pelo que leio na internet, esses jogadores de futebol estão tirando o sono de quem coleciona o álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Pertencem ao ranking dos mais difíceis de achar.
Ocorre que nada parece ser muito difícil hoje em dia. Graças à internet, os aficionados podem trocar figurinhas, comprar álbuns já completos, marcar reuniões, reclamar da situação ou vangloriar-se de seus feitos. "Ja completei 2 albumn to no tersero" [sic], informa um menino de 13 anos num blog dedicado ao tema. É pouca coisa, diante de um paulistano de 44 anos que já completou quatro álbuns e pretende chegar a dez cheios. Antes do início da Copa, naturalmente.
Todos correm contra o tempo. Houve alarme em Bauru: durante quase uma semana, interrompeu-se o fornecimento às bancas de jornal. A editora Panini, como toda poderosa empresa multinacional que se preze (a sede é na Itália), "calou-se" diante do problema, denunciam os críticos.
Surgem cotações no mercado negro, já houve um assalto espetacular e os furtos, como no meu tempo, devem ser comuns em qualquer recreio de escola. Mas é claro que, em comparação com as figurinhas de quando eu era criança, muita coisa mudou.
Este álbum de 2010 é globalizado. Não está escrito em português. A seleção da Grécia atende por Hellas, o nome que tem de fato na língua de Homero, e a histórica Sérvia é Srbija para os colecionadores. O que não constitui desculpa, é claro, para os erros de português que se multiplicam nas páginas da internet sobre o assunto.
A não ser que eu esteja muito destreinado, essas figurinhas autocolantes não facilitam a vida de quem quer ganhá-las jogando bafo. Em compensação, é um grande progresso não depender mais da velha cola branca, para nada dizer da mistura de farinha e água ou da impraticável goma arábica, da marca Camelo, que deixava minhas páginas com a consistência de uma bala de cevada -outra coisa da infância que não me traz saudades.
Não há de ser simplesmente por saudade da infância, em todo caso, que tantos marmanjos (até mesmo, devo dizer, na redação de um importante jornal paulistano) entregam-se à febre das figurinhas. Não se trata de uma doença retroativa e, sim, antecipatória. Já é a torcida pelo título mundial o que se concretiza na luta pelo álbum completinho. Importa dominar, ter ao alcance dos dedos o conjunto dos adversários possíveis.
Num arroubo de alma que só se poderia chamar de ibérico, há torcedores que fazem questão de colar de cabeça para baixo as figurinhas do selecionado argentino.
Completar o álbum é vencer todo acaso e incerteza. Obtida a vitória, começa-se outro, assim como a conquista do tetra não tira a vontade de chegar ao penta, ao hexa, que sei eu. Irremediavelmente antiquado, volto a estranhar essa necessidade (no tocante às figurinhas, porque, em matéria de futebol, prefiro ficar calado).
Nunca pensei, quando era criança, que fosse possível completar um álbum. Corria mesmo a desconfiança de que algumas figurinhas nunca tinham sido impressas. O melhor e mais precário álbum que já tive se chamava "Olé" e era desatualizadíssimo. Reunia, como todo bom time de futebol de botão, pernas-de-pau já aposentados, cenas de campeonatos peremptos e ídolos de bigodinho que, nos meus verdes anos de calça boca-de-sino e cabelo "black-power", já haviam sido esquecidos pelas multidões.
O desajuste, é verdade, mantém-se agora, mas com sinal contrário. Jogadores que supostamente participariam da Copa deste ano foram cortados, contundiram-se, e o álbum já deixou de retratar o tempo presente.
Todo colecionador, assim, corre em vão rumo ao futuro, para realizá-lo apenas como um testemunho do passado. Desfiz-me dos meus antigos álbuns de figurinhas. Se pudesse reabri-los, sem dúvida gostaria de novamente verificar que ficaram incompletos.
Ainda espero que, numa banca de jornal perdida no fim do mundo, possa achar num pacotinho aquele Mengálvio, aquele Dino Sani que me faltavam para completar a coleção. A coleção? Melhor dizer: a página. Para que o álbum, com suas lacunas irritantes e figurinhas impossíveis, não se feche jamais.

Marcelo Coelho - Folha de São Paulo - 19/05/2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

The fool on the hill

Estou escrevendo a próxima crônica ouvindo propositalmente The fool on the Hill (Paul McCartney). O tema fala dessa coisa de escalar montanhas, ou colinas. Talvez um tolo mesmo que se mete a fazer o que não sabe. Enfim, lições tiramos de tudo e o limites também. “Eu não tenho mais tempo para errar”, vem de um conversa com mulheres que estão preocupadas com o seu tempo. O que fazer com ele?

Day after day,
Alone on a hill,
The man with the foolish grin is keeping perfectly still
But nobody wants to know him,
They can see that he's just a fool,
And he never gives an answer,

But the fool on the hill,
Sees the sun going down,
And the eyes in his head,
See the world spinning 'round.

Well on the way,
Head in a cloud,
The man of a thousand voices talking perfectly loud
But nobody ever hears him,
or the sound he appears to make,
and he never seems to notice,

But the fool on the hill,
Sees the sun going down,
And the eyes in his head,
See the world spinning 'round.

And nobody seems to like him,
they can tell what he wants to do,
and he never shows his feelings,

But the fool on the hill,
Sees the sun going down,
And the eyes in his head,
See the world spinning 'round.

Ooh, ooh,
Round and round and round.

And he never listens to them,
He knows that they're the fools
They don't like him,

The fool on the hill
Sees the sun going down,
And the eyes in his head,
See the world spinning 'round.

Ooh,
Round and round and round

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ESPELHOS NOS OLHOS OCEÂNICOS

Debruçado na tarde, lanço a mais triste rede aos teus olhos oceânicos.
Nela se estende e arde na mais alta fogueira minha solidão que gira os braços como um náufrago.
Faço rubros sinais a teus olhos ausentes que ondulam, como à beira de um farol, o oceano.
Guardas apenas trevas, fêmea longínqua e minha.
De teu olhar emerge às vezes o litoral do espanto.
Debruçado na tarde lanço a mais triste rede a esse mar que sacode os teus olhos oceânicos.
A noite galopa em sua égua sombria esparramando azuis espigas pelo campo.
Os pássaros noturnos bicam as primeiras estrelas que cintilam como minha alma quando te amo.
Debruçado na tarde lanço na rede o meu coração, tentando atingir o seu, através de teus olhos oceânicos.
(Pablo Neruda)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Comida de Buteco - Receitas de BH

Bolinho de bacalhau
Ingredientes:
1 kg de batata
1/2 kg de bacalhau saithe
2 ovos
1 xícara de farinha de pão
1 pitada de pimenta-do-reino (1 colher de chá).
1/2 molho de salsinha picadinha
Tempero alho e sal a gosto (+ ou - 1 colher de chá)
Preparo:
Deixar o bacalhau de molho, trocando a água diversas vezes durante 6 horas. Cortar o bacalhau em
pedaços, cozinhar em água e desfiar bem fininho. Cozinhar as batatas sem casca e espremer no
espremedor. Colocar todos os outros ingredientes em recipiente e amassar até formar uma massa
uniforme. Fazer bolinhas e fritar em óleo bem quente.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O futebol Arte — Um recado a Paolo Rossi


Certa vez perguntei para meu sobrinho — naquela época com 12 anos — como foi o jogo de futebol do campeonato que estava disputando. Ele me respondeu com um sorrisinho: “Ah, perdemos de 5 x 1..., mas eu dei dois chapéus e um vão de perna.” Achei sua resposta fantástica. O que importa o placar se eu fiz a minha arte? O que importa se perdemos, se eu fui genial? O que importa a derrota, se já nos julgamos vencedores pelo que fizemos? Nós, brasileiros nascemos assim: apaixonados por futebol; e desde cedo já sabemos justificar nossas derrotas na maneira mais inocente num sorriso de uma criança. O que importa é fazer “arte”, dar espetáculos.

Não existe paixão maior que a de um torcedor pelo seu time de coração. Ouso dizer, esta união é verdadeira e leal: na saúde, na doença, na alegria, na tristeza e até que a morte vos separe. A herança de escolher para que time torcer — e isso é uma paixão para o resto da vida mesmo —, vem de nossos pais ou de nossos irmãos mais velhos. Sempre haverá esta influência, pois muito cedo somos inseguros em fazer outras escolhas, quanto mais para que time torcer. É claro que existem alguns que decidem não por influência, mas escolhem torcer pelo time do momento, ou seja, o time sensação da temporada. Com certeza, o momento do time do Santos-2010 fará engrossar o número de torcedores nas arquibancadas e pelo país a fora. Com seu futebol alegre, moleque tem atraído muitos pequenos torcedores já no berço.

Comigo, a influência futebolística foi de um dos meus irmãos, já que meu pai pouco gostava de futebol. Meu irmão, torcedor do palestra, colecionava revista “Placar” e sempre colocava no meu colo algum texto para eu ler – é claro que sempre do Palmeiras. Naqueles primórdios da década de setenta, eu só sabia de futebol pela Seleção do tri-campeonato; aquele time de Pelé, Tostão, Rivelino e Gerson. Dois anos depois da conquista do mundial comecei a torcer com paixão pelo Palmeiras. O time era a “Academia” comandada por Ademir da Guia, Leivinha, Luis Pereira e César, o maluco. O Palmeiras ganhou o segundo campeonato brasileiro em cima do Botafogo-RJ em 1972, depois foi bi-campeão no ano seguinte já contra o São Paulo. Até aqueles meus primeiros anos de futebol, só conhecia vitórias, conquistas e glórias. Colava meus pôsteres na parede, criava meus ídolos que, além desses do Palestra, havia Reinaldo do Atlético-MG. Até hoje não vi jogador como Reinaldo. Ele era um goleador nato, pois seu futebol tinha a ver com aquilo que mais apreciava: a arte.

Assim, como tudo na vida nem tudo são flores — mesmo na vida de um novo torcedor —, veio a primeira decepção ainda naqueles meus 20 anos. Era decepção sim, pois não imaginava que iríamos perder um titulo jogando o verdadeiro futebol brasileiro, com muita arte. Não estou falando do meu palestra, pois já entendia que não era fácil manter um time no auge por tantos anos e ganhando títulos, falo da Seleção de 82.

Em 1982, a Seleção Brasileira era comandada pelo “Mestre” Telê Santana, que vinha do meu Palestra. Telê tinha a pecha de ser um técnico exigente demais, detalhista, mas que gostava do futebol para frente, de atacantes. Naquela seleção havia um desconforto, a maioria dos torcedores não entendia porque o time de Telê não tinha ponta direita. E todos achavam que havia ali a teimosia do treinador turrão. E a seleção foi para copa da Espanha desacreditada, capenga e sem saber o que iria acontecer. Já nos primeiros jogos começamos a perceber a genialidade do time e de seu treinador. O meio de campo era um quadrado mágico formado por Sócrates, Zico, Falcão e Cerezo. O time jogava por música e os adversários não conseguiam parar o ataque, que só fazia gols magníficos. Ah, o ponta direita? Não havia um fixo, todos caiam por aquele lado do campo, como se ali fosse o terreno fértil para brotarem os gols.

Tudo ia bem, já éramos consagrados como a melhor Seleção da Copa, até que veio um trem desgovernado e nos atropelou. Horas antes daquele fatídico jogo contra a Itália, lembro ter assistido na TV uma entrevista com o avô de Bruno Conti, ponta direita da Itália. Um velho sapateiro do interior da Itália; um homem otimista, alegre e orgulhoso do neto. Como um inoportuno vidente, disse que não tinha dúvidas que a Itália sairia vencedora daquele jogo, embora o mundo todo pensasse e torcia o contrário. Acho que os deuses do futebol já haviam lhe soprado nos ouvidos o que iria acontecer. A previsão ou inspiração daquele velhaco foi de um bruxo diante de sua bola de cristal; e uma desgraça iria cair sobre nossas cabeças naquela tarde que seria conhecida como a “Tragédia de Sarriá” — nome do estádio que mais tarde seria demolido pelo governo Espanhol.

Dou-me o direito de não comentar ou sequer lembrar-me dos gols do nosso algoz, prefiro então ficar com a imagem de Falcão ao fazer o gol de empate de 2 x 2. Ele gritava e de braços abertos corria em direção ao lado do campo junto dos outros jogadores. Parecia que havia sido cometido por uma alegria que já não cabia em seu corpo. Mais tarde, descobri que o compositor Francis Hime havia feito uma canção chamada “Falcão”, justamente para descrever aquela cena. Depois da derrota por 3 x 2, com três gols de Paolo Rossi, apaguei. Quando acordei, demorei até minha ficha cair e compreender que o futebol também traz amarguras e desapontamento. No dia seguinte, ainda cabisbaixo fui até o jornaleiro e comprei o “Jornal da Tarde”; a capa trazia estampada a fotografia do filho mais velho de Zico com os olhos cheios de lágrimas. Aqueles olhos marejados representavam o choramingo de toda uma nação. Dobrei o jornal sem lê-lo e guardei comigo até hoje.

No futebol arte não havia espaço para mediocridade, descompostura, deselegância, grossura; a bola tinha que ser bem tratada como pincel na mão de um artista, o campo a sua tela e o gol a sua rubrica. Na vida como na arte não interessa se iremos perder aqui ou ganhar ali, por um simples placar ou de goleada; mas sim, interessa muito sermos lembrados pelas jogadas de mestre que faremos, pelos “chapéus” e “pedaladas” à frente do adversário. Seremos mais lembrados por isso.

Se vivesse aquela copa, meu sobrinho com certeza também iria achar Rossi um jogador repugnante, tosco, deselegante, de gols feios; e a Itália um time com futebolzinho de resultados, mais nada. Por outro lado, se alegraria com Zico e diria: é maior do mundo; Falcão, o mais elegante e genial de todos; Sócrates, o jogador que tem olhos no calcanhar direito; e Éder, o ponta que coloca as bolas com os pés como um jogador de basquete faz suas cestas na linha dos três metros.

O futebol arte morreu naquela Copa, foi enterrado junto com o Estádio Sarriá. Telê viveu tempo suficiente para ter outras glórias e ser campeão mundial interclubes, mas também para a angústia de terminar a vida sem ser campeão mundial com aquela Seleção. Quanto a nós, que presenciamos aquilo tudo, devemos reverências ao sagrado futebol daquela Escrete de Ouro que encantou o mundo. Passado esses anos, ainda carrego comigo esse trauma: toda vez que algum outro time no mundo ousar jogar como aquela Seleção de 82, penso que haverá um Paolo Rossi para estragar com a festa. É inconteste, ele odiava o futebol arte; e eu para sempre vou odiar Paolo Rossi.
(*) dedicado ao Thiago, autor de dois chapéus e um vão-de-perna.

©Antônio de Oliveira / arquiteto e urbanista / maio de 2010.

sábado, 8 de maio de 2010

Tarde de verão

Nublou na tarde vadia
Achei meu olhar perdido
A mesa cheia de papeis
Na fresta do dia:
Ela ainda vai estar onde eu estiver
Nas estrelas ou no elevador
Quando a chuva passar
E o destino se lançar
Em que lugares, livrarias, cafés?
Na missa de natal
Na tarde torrencial
Seus sapatos molhados
Não combinam com a chuva
Meu paletó sobre a poça dágua
Será seu abrigo por um instante

Minha doce amada
Será que ela vai me olhar?
Com tantos na espreita
Sem esperar, ela sorriu e desabrochou.
Como o sol em meio aos pingos
Nas folhas prateadas
Com um buquê de rosas
Encheu toda cidade
Na tarde raiou.

©Antônio (2007)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Comida de Buteco - Receitas de BH

Caldo de feijão de corda com carne seca e cachaça

Ingredientes:
Feijão de corda novo
Cachaça de boa qualidade
Carne de sol
Cebola
Folhas louro a gosto
Alho
Sal com alho
Cheiro verde
Pimenta dedo de moça
Banha de porco

Preparo:
Cozinhar o feijão juntamente com a carne de sol, quando o feijão estiver cozido, separar a carne de sol se estiver desfiando está pronto, se não, cozinhar apenas a carne com a água do feijão, quando a carne estiver no ponto de desfiar, desligar a panela. Desfiar a carne no pilão grosseiramente. Bater o feijão no liquidificador. Refogar em uma panela a cebola, o alho em uma colher de banha, quando estiver tostado acrescentar sal com alho, louro e a carne, refogar por alguns minutos e virar o feijão e deixar ferver para reduzir um pouco de água. A parte toste a pimenta inteira no forno ou em uma frigideira teflon sem óleo.
Em uma vasilha própria para caldos vire o caldo, arrume com cheiro verde a pimenta tostada e por último, já à mesa junte um cálice de boa cachaça no caldo e bom proveito.